Espaço Família | O nosso 1º Filho

Psicologia Clinica

17 de Junho de 2013

A Fase Pós-Parto

Acordamos de 2 em 2 horas… estou em alerta toda a noite e basta que a M. se mexa para eu ligar todas as sirene!!! O J. quer sempre estar acordado para depois da M. mamar , mudar-lhe a fralda, é um verdadeiro trabalho em equipa!

Após o nascimento do bebé, o internamento hospitalar (caso o bebé tenha nascido no hospital) e a chegada a casa, chega a fase tão sonhada e desejada dos últimos nove meses. Poder viver aquele bebé intensamente, mimá-lo, cheirá-lo (e que bem que cheiram os bebés), vestir-lhe aquelas roupinhas lindas que lhe comprámos enquanto ainda só o imaginávamos, enfim, a parte melhor. Isto é como o imaginamos e de fato, tem tudo isto de bom, mas também tem uma grande exigência emocional para os pais.

Para a mãe, há que gerir o cansaço do parto, com o cansaço de não dormir, a subida do leite, a sobrecarga hormonal, a exigência emocional de toda esta etapa, o receio de não estar a fazer bem, de não saber porque chora o bebé, ou como dar-lhe banho, entre tantas outras tarefas que devagarinho vão entrando nas rotinas diárias.

Para o pai, não saber como gerir a sua vontade de fazer, com o receio de não saber fazer, a sua tentativa, com a exigência da mãe.

Pode ser um momento difícil para os pais, por ser tudo novo, por ser tudo muito exigente emocionalmente.

O casal deve estar consciente de que tudo é novo para os dois. Muitas vezes a mãe teme que outras pessoas possam não saber o que fazer com o seu bebé e isto é extensivo ao pai. Tenta por isso ser só ela a pega-lhe, a trocar a fralda, a fazer tudo com o bebé, o que deixa o pai ainda mais inseguro e só. É muito importante que não se impeçam mutuamente de fazer as tarefas com o bebé e que conversem sobre os seus receios e aprendizagens, em colaboração.

É muito importante que o casal se una e tente descobrir a sua forma de serem pais daquele bebé. Se é verdade que não há dois bebés iguais, também é verdade que não há uma forma única e correta de serem pais.

Apoiando-se mutuamente, este, que pode ser um momento exigente e difícil, pode também ser um momento de partilha, de descoberta e de crescimento único, no casal.

 

Dra. Patrícia Saramago

(Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta)

patricia.saramago@gmail.com

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