Atualidade

21 de Novembro de 2014

A APSI lançou, no início desta semana, a Campanha ACABE COM AS QUEDAS PARA A DESGRAÇA.

Esta campanha visa alertar as famílias, os projetistas, os construtores, os fabricantes, os municípios e o poder central para o problema das quedas nas crianças e para as medidas que devem ser adotadas.

Um  estudo que a APSI realizou, mostra que 46% das mortes e 21% dos internamentos por queda, resultam de quedas de alturas elevadas, das quais uma parte muito significativa (mais de metade dos casos, quando se considera as mortes) acontece de edifícios ou outras construções.

Esta campanha visa alertar para o problema das quedas nas crianças pretendendo atingir públicos distintos: os pais e professores, para que se informem sobre as medidas de segurança a tomar; os projetistas e construtores, para que adotem as melhores práticas de projeto e construção; e o poder local e central, que deve garantir a criação de legislação e normas harmonizadas de construção.

Só desta forma será possível garantir que as construções (novas ou reabilitadas) salvaguardam de forma eficaz a segurança das crianças.

A campanha, com presença na rádio, TV e imprensa, contou com a participação especial da cantora Maria Ana Bobone que canta uma versão a capela da música de Vitorino “Menina Estás à Janela” que ganha neste contexto uma nova carga dramática. Luís Mileu e Ricardo Henriques, autores do projeto de solidariedade Projeto 2 Faces, foram os autores da criatividade da campanha, que teve o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

Na rede nacional de transportes coletivos, será possível encontrar os cartazes alusivos à campanha, em Lisboa, Porto, Coimbra, Viseu, Braga, Funchal e Algarve.

Nas farmácias, em todo o país, será possível encontrar folhetos informativos com conselhos de segurança para evitar as quedas com consequências mais graves. Estes também serão distribuídos na Pais & Filhos e com a Estrelas e Ouriços.

Os factos
• A cada dia que passa 9 crianças sofrem uma queda com consequências graves.
• Pelo menos 109 crianças morreram nos últimos 14 anos na sequência de uma queda.
• Mais de 60.500 crianças foram internadas por causa de uma queda.
• As varandas e as janelas são os elementos mais envolvidos nas quedas.
As estratégias de prevenção
Nos primeiros meses de vida

As quedas acontecem desde os primeiros dias de vida, quando a criança ainda mal se mexe… Muitas estão relacionadas com comportamentos errados dos adultos.

> Nunca deixe o bebé sozinho em cima da cama dos adultos, de um sofá ou mesa de muda de fraldas, nem “por um segundo”, mesmo que esteja a dormir.
> Se tiver que sair do quarto leve-o consigo; se não puder levá-lo deite-o no berço, na cama de grades ou no chão, sobre uma manta.
> Evite usar o “ovinho” em casa. Se tiver mesmo que o fazer, nunca o coloque em cima de mesas ou outros móveis e aperte bem o cinto interno (arnês).
> Aperte sempre o arnês sobre o corpo da criança na espreguiçadeira, carrinho de passeio e cadeira alta da papa.

 

 

 

A partir dos 6 meses

Quando a criança começa a gatinhar, e mais tarde a andar, aumenta a probabilidade de quedas de alturas elevadas: escadas, janelas, varandas ou terraços. A maior parte acontece em casa.

> Nunca utilize um andarilho, também designado “aranha” ou “voador”. É o artigo para crianças que provoca mais quedas.
> Instale cancelas, homologadas pela norma europeia, no primeiro e no último degrau das escadas.
> Todas as cancelas devem ter o topo liso, aberturas inferiores a 6 cm e altura de, pelo menos, 60 cm. Não podem existir elementos – como por exemplo, barras horizontais – que possam servir de apoio para os pés e permitir trepar. Prefira modelos com portinhola e trinco de segurança. Ao cimo das escadas devem ser presas com parafusos e nunca instaladas apenas sob pressão.
> Prefira janelas basculantes (que abrem a parte de cima para o interior).
> Instale limitadores de abertura nas janelas e portas de acesso a varandas e terraços, que permitam abrir no máximo 9 cm. Existem portas e janelas com limitadores de abertura integrados na caixilharia.
> As varandas, varandins, mezzanines ou outras plataformas elevadas devem ter guardas com altura de, pelo menos, 110 cm e aberturas inferiores a 9 cm. Não devem ter aberturas nem barras horizontais por onde a criança possa passar ou que a ajudem a trepar.
> Se as guardas não possuírem estas características coloque por dentro um painel rígido e contínuo, de material resistente ao impacto e não deformável (como por exemplo, acrílico, vidro temperado/laminado).
> Nunca coloque móveis, cadeiras, vasos, triciclos (ou outros objetos) perto de janelas, guardas e no patamar das escadas.
> Coloque a grade da cama para baixo e retire as cancelas das escadas quando perceber que a criança começa a tentar sair ou descer sozinha. Ensine-a a descer de barriga para baixo. Normalmente isto acontece por volta dos 18/24 meses.
> Quando a criança mudar da cama de grades para uma maior, coloque uma proteção lateral.
> Não deixe a criança utilizar a cama de cima do beliche antes dos 6 anos.

 

 

 

 

 

 

 

A partir dos 6 anos

Apesar de ter adquirido novas capacidades ao longo do seu crescimento, a criança continua a correr risco de quedas com consequências graves, pois a sua falta de experiência não lhe permite fazer uma avaliação adequada do risco. Nesta idade aumentam as quedas na escola e nas atividades desportivas.

> Os corredores e as escadas devem estar desimpedidos de obstáculos e bem iluminados. Os pavimentos não devem ser em material escorregadio.
> O vão das escadas deve ser protegido com painéis de altura superior à guarda, para impedir que escorreguem pelo corrimão.
> O piso de amortecimento nas zonas de queda dos equipamentos de jogo e recreio não deve ter sinais de desgaste (falta de areia ou placas sintéticas afastadas).
> Deve ser explicado à criança e ao adolescente o risco de se pendurar em janelas e varandas, sentar-se nos parapeitos ou caminhar sobre telhados e muros altos.

 

As quedas por tropeção, apesar de, no geral, não terem consequências graves são muito frequentes.
> Não deixe brinquedos espalhados no chão.
> Não calce chinelos às crianças e prefi ra sapatos bem presos aos pés, quando brincam, correm e andam de bicleta.
> No interior e no exterior da escola, ATL, ginásio, e nos espaços de brincadeira ao ar livre, verifique que o piso está em boas condições de conservação e é regular, sem desníveis ou elementos onde se possa tropeçar.

Guia para famílias: Guardas para Proteção de Quedas em Altura >>

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