Mães e Pais na 1ª Pessoa

Inês Simões 

Eu, Mãe

A ALIMENTAÇÃO DOS NOSSOS FILHOS

Enquanto pais, estamos habituados a tratar os nossos filhos como crianças e os adultos como adultos. No entanto, muitas vezes esquecemos essa realidade e impomos às crianças coisas ou situações que estão a um nível que ainda não lhes devia ser imposto. Mas elas não podem ser tratadas como mini-adultos! Onde mais caimos nesse erro talvez seja em relação à alimentação das crianças. Um doce aqui, um fast food ali, coca-cola, ice tea, sumo concentrado, fritos, gorduras escondidas, tantas vezes fazem parte da alimentação das crianças e deixam de ser excepções excepcionalíssimas para serem mais que frequentes, ou ainda, são impostas em tenra idade. Nunca nos esqueçamos que os pais são os principais responsáveis pela desenrolar da vida da criança!

De facto, quando a pediatra nos diz que o pequenito pode começar a fazer a “nossa” alimentação, parte do princípio de que a alimentação dos pais é saudável, no entanto, assim como muitos adultos comem mal, é provável que os seus filhos acabem por não ter uma alimentação saudável, porque estão sempre inseridos num mesmo ambiente familiar e de repetição de padrões, ainda que se tente à partida evitar.

Nunca é demais lembrar a importância da nutrição nos primeiros anos de vida. Foi isso mesmo que se propôs estudar e averiguar o recente estudo EPACI (Estudo do Padrão Alimentar e Crescimento Infantil, 2012), relativamente aos hábitos alimentares das crianças portuguesas, bem como averiguar de que forma as escolhas alimentares dos pais influenciam a saúde dos filhos e como é que os fatores que rodeiam o bebé podem determinar a sua programação metabólica. Tivemos a oportunidade de ouvir e trocar ideias e responder a dúvidas com o Prof. Paulo Oom, em Junho passado, relativamente aos resultados e concusões a que se chegou com esse estudo.

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Assim, o estudo revela que as tendências actuais de alimentação na população infantil de 1 a 3 anos, nem sempre são adequadas às necessidades nutricionais das crianças em cada fase de crescimento.

Sabia que 32% das crianças entre 1 e 3 anos de idade apresenta excesso de peso? É uma em cada três crianças, e destas, cerca de 6,5% têm obesidade.

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De facto, este resultado é devido em grande parte a uma ingestão de proteínas 4 vezes superior à recomendação de ingestão diária, que provém do consumo elevado de proteína de origem animal, entre os quais o proveniente de leite de vaca, de carne e outros. Outro factor que tem muito peso, é a ingestão excessiva de açucares simples, através do consumo de bebidas e sobremesas doces. A absorção de ferro, por exemplo, fica comprometida, se a refeição for acompanhada com ice tea.

Outro dos resultados verificados foi a incidência de aumento maior de peso em bebés que deixavam de mamar antes dos seis meses de idade e entre os que começavam a tomar refeições de outros alimentos que não o leite materno, antes dos seis meses de idade.

Não esqueçamos estas máximas, reforçadas pelas conclusões do estudo:

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