Mães e Pais na 1ª Pessoa

João Moreira Pinto 

E os Filhos dos Outros

6 dicas para iniciar os primeiros passos

Esta semi-ausência deve-se, entre outros, a um pedido duma leitora que me encomendou um texto sobre como ajudar a criança a dar os primeiros passos. Como esse pedido já não era o primeiro dentro do género, achei que deveria escrevê-lo com mais afinco, o que me deu mais trabalho e, consequentemente, me tirou mais tempo. De qualquer forma, aqui está. Se gostar, partilhe.

As crianças dão os primeiros por volta dos 12 meses. ‘Por volta’ é o termo quase-técnico para dizer que algumas começam aos 9 meses e outros aos 21 meses. A criança começará andar quando o seu organismo, os seus músculos e a sua coordenação motora sentirem que estão preparados para o fazer. Teoricamente (ou seja,  o que vem nos livros), não há nada que os pais possam fazer para acelerar este desenvolvimento neuro-muscular. Deve-se dar tempo ao tempo, mas pai que é pai (e Mãe que é Mãe) não sabe ficar de braços cruzados. Além do mais, a marcha é uma das principais modalidades na competição entre progenitores. Não há sala de espera de pediatria ou encontro de Mães-amigas que o tema não venha à baila e ninguém gosta de ficar atrás. Repito: não há estudo nenhum que prove que as medidas que se seguem acelerarão o início da marcha do seu filho. Mas mal não fazem e nós pais não gostamos de ficar de braços cruzados…

1. No stress. Apesar das dicas que se seguem. Lembre-se sempre desta: não há duas crianças iguais. Umas comem tudo outras não comem nada, umas sorriem cedo outras só mais tarde, umas palram cedo outras mais tarde… O facto de a criança estar a atrasar o início da marcha não quer dizer que vá ser ‘atrasada’ em tudo o resto. Salvo em caso de doença neurológica ou muscular conhecida, a sua criança acabará por andar. Não deixe a ‘competição’ que falei em cima subir-lhe à cabeça e dê tempo ao tempo. Apressar as coisas pode ser prejudicial, porque pode provocar medo e insegurança à criança. Por isso, no stress.

2. Exercitar a coluna. Desde o nascimento, o bebé deve brincar algum tempo de barriga para baixo. Exercitar os músculos do pescoço e das costas previnem a morte súbita e servirão para ganhar força suficiente para (mais tarde) a criança se sentar e, depois andar.

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[fonte: boppy.com]
3. Exercitar as pernas. Assim que a criança conseguir apoiar-se de pé, deve-se incentivar brincadeiras que ela possa fazer nessa posição. As mesas de actividades muitas vezes escorregam, mas colocar os brinquedos num sofá é uma solução acessível e disponível quase em qualquer lado. Os andarilhos são ‘proibidos’ pelos pediatras. Eu até gosto, mas de facto nada prova que eles aceleram a marcha. Aqueles brinquedos com rodas em que a criança se apoia e anda não parecem gerar polémica, mas cá em casa nenhum dos rapazes se deu com aquilo. De facto, ambos se estatelaram no chão e recusaram aquelas aventuras.

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[fonte: comprafari.com]

4. Motivar. Em média, as crianças que gatinham andam mais tarde do que aquelas que não gatinham. Isto acontece porque as crianças que gatinham arranjaram uma forma rápida de ir de um lado para o outro sem precisarem de andar, enquanto as que nunca gatinharam precisam da marcha para lá chegar. Assim, devemos criar incentivos para a criança se colocar de pé. Os brinquedos colocados sobre o sofá são uma forma de os obrigar a levantarem-se do chão. Mudar o brinquedo de posição pode ser uma forma de o fazer percorrer o sofá, e mudá-lo para a mesinha, uma forma de incentivar que a criança vá percorrendo a sala.

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[fonte: haverleecolyer.blogspot.com]

5. Passear. Uma criança com os braços esticados para cima entre as pernas de um adulto que o segura é a imagem mais comum quando pensamos nos primeiros passos. Talvez por vício de profissão, essa imagem recorda-me sempre das centenas de cotovelos deslocados que já tive que corrigir (ler aqui sobre pronação dolorosa): Por outro lado, não parece nada fácil para as crianças equilibrarem-se com os braços esticados para cima. Daí, sempre apoiei (e não agarrei) os meus filhos pelo cotovelo e, para treinar os primeiros passos, preferia que eles andassem com os bracinhos abertos para o lado (muito ao estilo da imagem que se segue). O que se ganha em ergonomia para a criança, perde-se em dores de costas para os pais, porque obriga a que o adulto ande mais curvado.

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[fonte: newswise.com]

6. Libertar as amarras. A certa altura a criança anda apoiada nos móveis lá de casa. Percorre o sofá, estica-se até à mesinha ao lado, tenta alcançar a peça de mobiliário que se segue. Está na altura de soltar as amarras. Isto não vem nos livros, mas a forma que sempre me pareceu mais lógico foi encostar os meus filhos de costas contra o sofá ou contra a porta a esticar-lhes as mãos para os agarrar. Nas primeiras centenas de vezes eles só mergulham, isto é, atiram-se para os braços paternais sem qualquer passo antes. Com o passar dos dias, lá se desenha o que parece ser um passo, e depois outro, e já são três… A certa altura eles dão os passos todos e nós já estamos na outra ponta da sala.

Uma última nota sobre o calçado. Os melhores sapatos para dar os primeiros passos são as solas dos pés. Andar descalço é a forma mais segura de garantir a estabilidade que a criança precisa para iniciar a marcha. Mas como nem sempre é possível ter as crianças descalças em casa e principalmente fora de casa, escolha sapatos ou botas que cubram o tornozelo e que nesta zona sejam duras o suficiente para que o pé não torça.

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