Mães e Pais na 1ª Pessoa

Catarina Beato 

Dias de uma Princesa

bolas de sabão

tenho uma foto assim. devia ser um bocadinho mais velha. estava na varanda com vista para o Tejo, a brincar com bolinhas de sabão e corria atrás de cada mini arco-irís como se fosse magia. a mesma varanda onde guardo as memórias dos pequenos almoços do meu pai, lentos e calmos enquanto via o sol nascer. haverá pouca coisa tão simples e tão fascinante como bolas de sabão. assim, em jeito de poesia, podia escrever que as bolas de sabão são metáforas da vida: infinitamente felizes, frágeis, que voam, com cores que mudam, assim no plural, capazes de rebentar, cair ao chão ou voar até ao céu. e, com um sopro, recomeça tudo. guardo os sorrisos dos meus filhos como guardo as memórias da minha infância. guardo os sorrisos dos meus filhos em caixinhas que cheiram a bolachas Maria e a croissants do Central aquecidas em manhãs de inverno. guardo os sorrisos dos meus filhos, como guardo as minhas memórias de minha infância. para sempre.

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