Mães e pais na 1ª pessoa

22 de Abril de 2013

The secret of hapiness

mums

Quando era pequena, a minha loja favorita era a Bertrand, no shopping Brasília, na Rotunda da Boavista, no Porto. Enquanto a minha mãe e a minha irmã mais nova iam dar uma volta para ver montras, eu ficava a folhear os livros e as revistas, com o meu pai.

Entretanto a gente cresce e a Fnac chega ao Norte Shopping. É lá que hoje me perco e é a única loja onde entro (sempre) com o entusiasmo de descobrir coisas novas. Quem gosta de livros tanto quanto eu, sabe exactamente do que eu estou a falar. Olhar para o livro numa estante, aproximar-me dele. Segurá-lo e abrí-lo. Questionar-me se o levo ou não. Todo um ritual de encantamento e de sedução…

E de cada vez que lá vou, vejo que a secção de desenvolvimento pessoal está cada vez maior e sempre com novos títulos. Percebo, agora, que a expressão utilizada pelo ‘Le Monde’ aqui há umas semanas estava correctíssima: a felicidade tornou-se no Graal dos tempos modernos. De facto, a ciência da felicidade, como agora é chamada, é uma disciplina que se define pelo estudo científico do desenvolvimento optimal dos indivíduos. Os estudiosos dizem que para atingir a felicidade, devemos fazer uns certos e determinados exercícios – aliás, se vens cá ao blogue, sabes bem que todas as 3ªs feiras existe uma ‘receita’ do meu Projecto EvenHappier_52, baseado no livro do Tal Ben-Shahar.

Contudo, e como diz e bem o artigo do ‘Le Monde’, acreditar que a felicidade possa ser alcançada através destes exercícios é um erro. É? Então ando enganada? Será que aqueles que trabalham com a Psicologia Positiva (eu incluída) vemos tudo cor-de-rosa bebé? Felizmente, há uma explicação para esta afirmação. A verdade verdadeira é que a grande maioria de nós tem uma tendência quase absurda em criar, nas nossas cabecinhas, os piores cenários possíveis. Antecipamos o futuro de forma menos boa e ruminamos (ou seja, pensamos muito) em coisas que já aconteceram e sobre as quais não temos qualquer poder de mudança. Assim, tirar prazer daquilo que temos agora só pode ser feito, para a maior parte das pessoas através do treino.

Como assim, perguntas tu? Qual treino?

Ora pensa comigo. Se eu procurar pensar de forma mais consciente sobre as coisas que me acontecem ou que eu desejo que aconteçam, se eu criar estratégias e pensar nelas, tudo isso é um exercício (consciente). Por isso estes exercícios (que até são utilizados por muitas psicólogos e psicanalistas ao longo de uma terapia) têm como objectivo modificar as cognições – os pensamentos e as crenças – de comportamentos menos adequados. E ao modificar conscientemente hoje, estamos a modificar inconscientemente, amanhã.

O perigo qual é? É cair na ditadura da felicidade, como diz e bem o artigo que eu li. Sentir-me mal porque não consigo ser feliz. Ou mais, tornar-me narcisista por olhar demasiado e apenas para mim. Por isso e talvez seja útil apimentar a vida – com um humor negro de vez em quando, com uma alegria contagiante e com o rir-me mais de mim própria. E isso eu só consigo sozinha.

http://mumstheboss.blogspot.pt/

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