Mães e pais na 1ª pessoa

23 de Maio de 2013

10 regras – 10 dicas ou Be positive, Stay positive.

Ontem caiu-me a ficha.

Algumas vezes ensino uma coisa e faço outra.
E não foi apenas uma vez, mas três.
A Concha está sempre a cair e a bater em tudo. E depois chora muito. Há uns dias bateu na esquina da secretária do escritório e chorou que nem uma desalmada. Muitas lágrimas, muita tristeza. Então eu disse-lhe “ai ai, onde bateu, onde foi? A mesa é má. Vamos dar tautau, vamos?” Isso animou-a e dor passou. No dia a seguir cai, bate com a testa no chão e vira-se para mim e diz “Mãe, foi aqui” e apontou para o chão à espera do tautau que a acalmasse. De forma muito descontraída voltei a fazer e nem sequer pensei mais no assunto. Passado um bocadinho foi na parede (sim, eu não disse que ela andava sempre a esbarrar com as coisas, a cair e a magoar-se?) e volta a acontecer a mesma sequência. À noite, já na cama, aquilo veio-me à cabeça e parece que tinha ligado o interruptor. Pensei “bolas, o que acabei de fazer, mesmo com a maior das naturalidades e ingenuidades, foi errado. Estou a modelar um comportamento que não quero que ela aprenda, que ela responda assim”
Se alguém faz asneiras não deve levar tautau. Ponto.
Os psicólogos também erram. A moral que eu tiro desta estória é que errar, erramos todos. O importante é reflectirmos sobre os nossos erros e tentarmos fazer diferente para a próxima vez.
 
Deixo-vos então umas dicas de como modelar comportamentos positivos e como lidar com o comportamento agressivo das crianças.
1 – Praticar comportamentos positivos
Com uma boneca.(o) ou com os animais domésticos, por exemplo.
Ao brincarmos com uma boneca ou com um boneco devemos modelar os comportamentos que queremos que os nossos filhos tenham. Fazemos isto sendo gentis na forma de falar e no toque.
Abraçar. Abraçar muito também!
2 – Elogiar
 
 
Devemos elogiar as crianças, por mais pequeninas que sejam, sempre que tenham comportamentos que achemos serem positivos e que queremos que continuem a ter – por exemplo, quando brincam com os outros ou quando brincam de forma gentil com os seus bonecos e bonecas.
“És tão carinhosa com os teus bebés, muito bem!”
3 – Focar no positivo
Muitas vezes focamo-nos no comportamento que queremos abolir e não paramos de falar nele. Estamos desta forma a dar atenção ao comportamento errado. Estamos sobretudo a dar atenção à criança e para ter atenção, a criança fará qualquer coisa, até portar-se muiiiito mal.
4 – Elaborar as frases na afirmativa
Lembram-se dos jogos da nossa infância em que não podíamos usar a palavra não? Não? Perderam! Pois, vamos tentar dizer as frases na afirmativa e de forma mais positiva do que negativa: “Mãos para cima” em vez de “Não mexam”. “Venham para a cama” em vez de “Não vos quero mais acordados”. Porque estamos a falar daquilo que queremos que os nossos filhos façam, daquilo que eles devem fazer, e não nos vamos focar e dar atenção àquilo que não queremos que eles façam.
O “não” existe e deve ser usado, mas para coisas mesmo importantes, como seja numa situação de perigo. Como as crianças não vão estar habituadas a ouvir constantemente “não, não, não”, quando o ouvirem, na tal situação especial, isso vai provocar neles um impacto maior e surtir mais efeito.
5 – Dar nome às emoções
Muitas vezes a agressividade passa pela dificuldade que as crianças têm de falar sobre o que estão a sentir e não conseguem dar um nome à emoção. Temos de lhes ensinar, dizendo, por exemplo, “parece-me que estás muito zangado agora”, ou “agora pareces furioso, sabes o que é isso?”
6 – Ensinar a empatia
Perguntar à criança como é que ela se sentiria se acontecesse com ela. Fazer role-play com fantoches, por exemplo. Perguntar o que é que ela acha que o menino ou a menina estão a sentir.
7 – Usar o tempo de pausa quando for necessário
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Quando há alguma coisa que está a ser um agente de stress para os nossos filhos, devemos tirá-los dessa situação e deixá-los num sítio sem estímulos, a acalmar. Não é para sermos maus para eles e nem é castigo. É sobretudo uma forma de aprenderem a auto-regular-se.
8- Castigar tendo em conta a idade.
Quando os bebés são pequeninos podemos falar e explicar, mas não surtirá muito efeito. Então passamos muito tempo a distrai-los dos comportamentos indesejáveis. Mas depois devemos passar para as consequências. Talvez aos 18 meses já seja uma boa altura para perceberem que, se atiram o sapato quando vão no carrinho, não poderão sair do carrinho porque não têm sapato. Se atiram um boneco, esse boneco vai para “time out” e não pode brincar com ele durante algum tempo.
Por falar em time-out, se a criança for pequena, os tempos de pausa não são bem compreendidos e no máximo é um jogo para elas. Penso que 3 anos é uma boa idade para se poder usar. Pode-se começar pela 123 tempo de pausa, que significa que são permitidos 3 avisos antes do tempo de pausa.
A ideia é sempre mostrar que as acções têm consequências e o time-out deve ser usado naqueles comportamentos limite, aqueles que não queremos em absoluto que aconteçam.
9- Diminuir comportamentos negativos usando actividades positivas e gratificantes e permitir que libertem energia/ tensão acumulada
Nas alturas que sabemos serem propícias para birras, conseguir engajar a criança numa actividade mais positiva vai refrear as tendências agressivas.
E claro que a energia deve ser libertada. Mesmo um adulto que tem maior capacidade de elaborar os seus pensamentos e gerir as frustrações, sente-se melhor depois de ir ao ginásio ou depois de correr uns km.
Levá-los a dar uma volta pelo bairro, chutar umas bolas, dar umas braçadas na piscina, podem ser o suficiente para gastar aquela energia a mais, que tem de sair cá para fora. Assim é libertada da forma mais correcta.
10- Ser realista e conseguir encontrar o seu estilo pessoal
Crianças são crianças. Devemos ajudá-las, dar-lhes bons exemplos, direccioná-las para as suas competências, para os seus recursos, trabalhar com elas as emoções, mas …continuam a ser crianças. Não nos podemos esquecer disso nunca.
Enfim, cada um de nós vai certamente encontrar a melhor maneira de pôr algumas destas dicas em prática, vai perceber como os filhos vão reagir, se aceitam bem, e se o que se vai fazendo é suficiente para produzir mudanças de comportamento. No fim de contas, um pai e uma mãe conhecem os filhos melhor que ninguém!
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