Atualidade

23 de Outubro de 2014

10 dicas para comunicar (melhor) com um adolescente

Mostrar interesse e ouvi-lo mesmo quando não concorda com as suas ideias. O Observador falou com a psicóloga Sònia Cervantes para descobrir a receita para uma conversa de sucesso com um adolescente.

Tem um adolescente em casa? Mesmo que não tenha, e queira saber como comunicar com ele, este artigo é para si. Isto porque falar com um adolescente pode não ser das tarefas mais fáceis. Pessoas em construção, entre a infância e o ser-se adulto, vivem as emoções de forma intensa e tendem a distanciar-se de quem impõe e faz as regras. Por norma, têm maior dificuldade em expressar os sentimentos e precisam de se sentir compreendidos, mesmo quando não o são.

Quem o diz é a psicóloga espanhola Sònia Cervantes, habituada a lidar com a falta de comunicação existente entre os dois mundos. Por esse motivo, escreveu o livro “Socorro! Tenho um adolescente em casa“, da editora Pergaminho, para ajudar a construir uma relação de confiança, transparência e respeito entre gerações distintas. O Observador falou com a também formada em terapia infantojuvenil e reuniu um conjunto de conselhos para que a conversa com o adolescente mais perto de si flua sem problemas.

1. Para captar a atenção de um adolescente, mostre interesse e preocupação por ele.
Os adolescentes sentem-se confortáveis quando são aceites, compreendidos e amados, como qualquer adulto. Não se capta o seu interesse exigindo e perguntando continuamente, isso oprime-os.

2. Em vez de culpá-lo pelo silêncio, mostre que se sente mal por não conseguir comunicar com ele.
É mais eficaz dizer algo como “Gostaria muito de conseguir falar contigo. Entristece-me não saber o que sentes e não poder ajudar-te, caso necessites”, em vez de “Nunca me contas nada, nunca falas comigo”. Eles precisam de sentir proximidade.

3. Quando ele não quiser saber de nada, procure perceber como se está a sentir.
O importante é tentarmos descobrir o que o faz sentir-se assim e concentrarmo-nos nas soluções. Isto é, encaminharmos o adolescente para que ele mesmo procure a motivação interna que o leve a fazer coisas. Não importa o quê, desde que faça algo. Essa é a ideia. Os adolescentes são encorajados através da ação.

4. De vez em quando oiça-o, por muito absurdo que pareçam os seus argumentos.
O adolescente precisa de sentir que o compreendemos. Podemos não estar de acordo com os seus argumentos, mas é importante que ele veja que temos interesse no que pensa, mesmo que não pensemos de forma igual. Se deixar de escutá-lo, por pensar que só diz coisas tontas, quando ele tiver um problema a sério não lhe vai contar e, assim, poderá correr um grave risco. Devemos criar um clima de confiança e compreensão, é seguro mais para eles.

5. Diga que o entende, mesmo que não esteja de acordo com ele.
Isso transmite respeito pelo adolescente e, em troca, ele acabará por nos respeitar. Muitos pais e mães queixam-se que os seus filhos não os respeitam, mas eles também não o fazem em algumas ocasiões.

6. Não se deve obrigar um adolescente a falar.
Os adolescentes são pessoas em construção e não dispõem das ferramentas necessárias para poder expressar e regular as suas emoções, apesar de as viverem de forma mais intensa que os adultos. Se estão mal é “catastrófico”, se estão bem é “o melhor do mundo”. Os adolescentes expressam-se melhor com os rapazes e as raparigas da sua idade, que vivem as emoções com a mesma intensidade, pelo que não os devemos forçar a falar, mas antes passar a ideia que, quando quiserem comunicar, vamos estar lá para ouvi-los.

7. Há pais que têm medo dos filhos. Eles sabem-no, aproveitam-se disso e assumem o controlo da situação, porque, em parte, você o permitiu. 
Quando o medo entra em casa e são os pais que o têm, eles deixam de exercer a sua função parental. Assim o adolescente aprende que ao incutir medo (e não respeito) consegue o que quer. É importante que os pais aprendam a gerir o medo, a abandoná-lo, e que comecem a assumir o controlo em casa. Caso contrário, o adolescente é quem detêm o poder e o controlo e mudam-se os papéis.

8. O adolescente precisa de ouvir a palavra “não”. 
A vida real é como uma estrada sinalizada, temos de seguir as regras e algumas delas são proibitivas para nos proteger e aos outros. Se não compreenderem o “não”, não poderão integrar-se na sociedade tal como está montada. Uma coisa diferente é não estarem de acordo, isso é normal e têm o direito a queixar-se, mas devem entender que há coisas que não podem fazer. As crianças que não entendem o “não” convertem-se em pequenos ditadores e tiranos que farão sempre o que lhes apetecer, sem se importarem com as consequências.

9. Um adolescente seguro de si mesmo resulta de uma atitude paternal baseada no amor e na autoridade.
Esta postura consegue-se sendo um pai afetuoso e firme, pondo normas e limites. Estando sempre disposto ao diálogo e à comunicação, sendo claro e confiante. Se eles virem isso, é muito provável que sejam pessoas seguras de si: saberão o que podem e não podem fazer e sentir-se-ão amados e aceites.

10. Um pai autónomo cria personalidades autónomas.
Uma das regras básicas da educação é educar pelo exemplo. Se o adolescente perceber que tem pais seguros e que atuam autonomamente, ele aprenderá a fazê-lo de igual forma.

Fonte | Observador